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domingo, 7 de agosto de 2016

Intrépido mortal

Meu Senhor quando foi que morri?
Frio aterrador q'me chegas aos ossos
...não mô] -devias ser assim após aurora
A vaziez da noite passou...e "Eis me aqui!"  
Qual arco encurvado a caminhar entre mortos
Nestes vales desertos q'sugaram-na -minha flora!

Feliz foi o graveto pisado
fez bulício fugir gritando!
 "Revolveu sonhos d'sesperados"
na madrugada meiga d'ste abandono

O soldado secou sozinho
estava ferido no campo.
Sentiu liberdade no terror da morte!
Quando ao longe viu fugir ...carinho
A paz rasga a muralha do pranto
e no fim são mesmo os ossos, os mais fortes.

...Tempo de tempos carregando um corpo
que se alimentava d'uma alma.
No suplício frenético do desespero 
Pra que servirá mesmo estes ossos?
Quando a ciência ultrapassar a alva
  e no exílio secreto se esvair os cheiros

"A joia pura dos homens foi lapidada!"
Conheces tu a morte severa q'inda não existe?
Cujo manto sombrio desconhece a carne
caminha entre, vivos, monturos e adagas.
Teus ossos 'indas fortes para levar-te mesmo triste
não é hoje que ouviu-me partir na saudade

O cálice da loucura enlutece
quando a estigma se cansa.
Cinge-te no frio e no silencio 
e na paz de um adeus te apeteces...
 Vida caminha solícita por essa dança
ossos nos levam ao altar, não estás vendo?

Que as feridas são fendas!
Pensas muito e se esvai...
"Meu Deus é o fim"
Posso caminhar por essa senda
sem olhar para traz...
Q'meus ossos gritam por mim

Não fui eu, a tênebra ausente
nem ouvi as vozes d'álem...
Meu Cristo se preparou no deserto
"contentas-te tu em saber" -(q'tens apenas sementes?)
Que flores darei-eu a ti meu bem 
quando me vires no ocaso mudo
Verás tu os meus braços abertos.
O esqueleto q'herda as raízes deste mundo...

Minha lápide viva
Se põe como o sol da manhã.
Retornando ao passado
Relembrando os dias vividos
que me assistem em um divã
nest'enfado caminhado, "passo/eu/passo"
   




(Lourisvaldo Lopes da Silva)
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