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terça-feira, 6 de setembro de 2016

Cardeal Malungo



Um anseio pergunta-me "Quando?"
À pertinaz monotonia ensurdece
Tremores ínfimos, e incessantes queixumes 
Reles obscura a segregada mácula   
E nas horas mais tensas, escurece...
Recolhem-se então, as cores alvas
Nas ruas, soberbas a lâmpada q'brilha
    Entreolhares nas janelas
"Que luz é aquela?"

"Na profusão impávida quem mora?"
Porque quando a lua atrai a terra
O mar se lança sobre os rochedos
A ignomínia  que sonda o coração
É, a ascensão do medo

...Na escuridão das campinas
Malungo; "-irmão meu
 Se entregou ao exílio da fé!"
E lendas nos assolavam
Neste labirinto cativo indagos; "sem valor
é bradar-se livre."
 Liberdade é seta apontada para o alto

Pássaro verde, zircão escurecido
Não tem mãos para levar a tramela
À-poteose das maiores chamas
Tão azuis quanto o sorriso do céu
Estão nos fugitivos das gaiolas
 
Ouvi tua voz pousando,
Em timbres sísmicos e revoltos
Quem não quisera ouvi-lo
Cardeal incandescente
Quais borrões to nomearei?
"Malungo irmão meu"

Límpidas correm as brisas
 Velozes zenetas em seus corcel
Ditos teus pergaminham
Como as rochas q'se lançam das altas montanhas
Rugem os trovões alaridos 
O menor dos homens conhece o céu
E sobre as nuvens caminha...

Cardeal Malungo insigne;
-Qual o alcançar de um homem?
Que estanda no olhar o brasão,  amor!
E ensina-me a ser livre?

"O extenso alcance de um horizonte
Pouco antes do sol se pôr."
 E a noite será apenas ao langor
Quando a luz faltar aos montes

A centelha da alma nunca fosca
Benévola a rigidez de uma convicção
Prove-se então ao que sai pela boca
 Neste templo soberano mora um dragão

Cardeal Malungo



 (Lourisvaldo Lopes da Silva)
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