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domingo, 6 de novembro de 2016




O Jardim das névoas


Na faina incansável, a penumbra ronda  
Suplícia-me este afã dos desejos raros
Na estigma, labél, à sinuosa afronta
D'uma remota e distante terra no ocaso  

Pr'onde me viro, o céu se fecha
Como sombras tentam me engolir
O ousar lânguido, breve fenece
Na brisa escura, aproxima-te porvir

Sacelam capelas, q'afastavam a alva
e dilacerava-me elegias que pouco se ouvia!
Como se o amor arrancasse a minh'alma
e a plantasse! Em uma quimera, sem utopia...

Eu navegava em sendas, 
para encontrar obstante, a única flor
Naenia! Já longe em oculta vida
A fronte rajada, recusa oferenda.
 
Se de toda insanidade me oferecessem a cura
Mesmo perdido, eu seguiria sozinho.
Até alcançar-te, que incitas me árdua tortura
'Inda que névoas ocultem o brilho,
eu saberia, de ti o caminho.

As grandes naus se desviam dessa rota
Destas mesmas fui lançado fora, ao mar
Já tarde da noite, eu debatia nas portas
-"Só queria encontra-la!?! Mas eles não quiseram voltar"...

Até, aos átrios da ilha me arrastei
e meus versos estilhaçavam por ti...
Mas da torre alta expulsaste o farol
e deitada sobre a relva cortina a encontrei
Como se do mundo tentasses fugir
a abracei, e sobre nós arrastei o escuro lençol.

Para que não descobrissem de ti, estes medos
soltamos, decrepita lenda 
aos arredores.  
"Encontrem-na
            neste segredo!"         
  

O Jardim das Névoas.

...




(Lourisvaldo Lopes da Silva)
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