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segunda-feira, 28 de novembro de 2016


Ensejos


Já galopei pelos ares

na garupa dos vendavais.
Me segurei nos fios crespos 
das torrentes desesperadas.
Um pássaro rebuscado por avatares
na voluta por seus ideais.
Para ser feliz, me fiz de travesso 
como o pó que se assenta na estrada.      

Amei sem ser amado
e sofri, sem ser ferido...
Lágrimas são composições
pequenos lagos cristalinos.
Uma elegia para um amor enfado.
De teus lábios espreito o sorriso
"Se puderes" livra-me dessa aflição;
Aproximando-se você, muda-se o meu destino.

Pedes à tormenta que cedas
um pouco de paz ao céu!
Concede-me d'ste teu gozo?
Para que me ab'sintas
partas ao meio a labareda...
E da fumaça fina, despe-te de teu véu
vejas com teus próprios olhos o fogo 
que dorme recôndito nas cinzas.

Já fui poeta! (em um dia)
e, em outro eu fui ...disperso.
Espalhado pelo alheio firmamento
vivi o fulgor das noites de lua...
E, me perdi no calor das entrelinhas 
sempre que avanço regresso...
Não há aço nos sentimentos,
que protejam alma tão nua.
 
Fui menino, que sonhava na escada
quando incomodaram-me "Senhor! Senhor!"
Foi como se ouvisse o sino
que soa da capela, e tine pelo universo.
Tive grand'parte da vida roubada
E, ainda oiço-te dizer que foi por amor.

Ah minha vida! Pr'onde vagas?
A nívea alvura do amanhecer,
revoas na profusão da loucura!
Retorno sempre à ti amada,
antes que no horizonte possas me perder.
Contemplo da inércia à brancura
antes que de mim fostes apagada.




(Lourisvaldo Lopes da Silva)
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